Lia eu com 6 anos no capítulo das adivinhas do meu Novas Flores para Crianças, parece que foi ontem…

Realmente estas coisas meio feitas, meio por fazer têm sido recorrentes e vão achar que não consigo passar sem o cheiro a naftalina na minha vida, o que não sendo completamente errado, também não é a mais absoluta verdade 🙂

A questão é que tive a sorte de ter (ou herdei nos genes) os gostos parecidos com os das minhas avós e portanto dá-me imenso prazer fazer nascer os projetos que, uma e outra, não tiveram tempo e/ou oportunidade.

Desta feita, demos com uma fazenda cinza mesclada para um casaco, cortada pela minha avó Letícia, com fios passados de uma prova já feita, mas vestígios do(a) destinatário(a) ou dos restos do tecido, nem vê-los…

Vai daí, a necessidade aguça o engenho e aí vamos nós em busca de alternativas para fazer nascer o casaco sem que ficasse a parecer uma manta de retalhos. 

Fazia sentido que a herança ficasse em família e com a proximidade do aniversário da minha irmã, estava eleita a cliente!

Segundo passo, pensar no que faltava do casaco para que ficasse a “cara” da sua futura dona: que acabamentos lhe dar? Que forro pôr? Aplicar botões? Bolsos, sim ou não? Com ou sem cós? Tentamos ir ao encontro da cor que temos ou assumimos a diferença?

E, se pensam que no atelier sabemos responder a todas estas questões quando pegamos num trabalho, enganam-se. Às vezes, (muitas vezes!), o projeto nasce à medida que… vai nascendo!

Assim foi também neste caso, inicialmente pensado para ser casaco e que virou blusão, com cava raglan e manga larga tipo morcego, forrado com um acolchoado de (xiuuu, não digam a ninguém) colcha de criança com estampa de barquinhos de papel porque, no final de contas, ele foi mesmo o presente para a “minha caçula”, a minha eterna mais nova, a minha mana.

Se tive dúvidas durante o processo? Tive muuuuitas! Mas estou tão feliz com o resultado final! E acho que quem o recebeu também usará orgulhosamente mais esta joint venture das Avós by Madame Cavalleri, certo Luísa? ❤